
Entrada do Museu Nacional de Antropologia, com seu famoso “teto cogumelo”.
Entrei no Museu Nacional de Antropologia sem imaginar a surpresa que estava por vir. Era 2021, minha primeira vez na Cidade do México, e o museu aparecia em todas as listas de “o que fazer em CDMX”, além de diversas recomendações de amigos. Fui por inércia. Saí convencido de que é um dos melhores museus do mundo.
Tanto que voltei em 2023. Dessa vez com um plano: cobrir o que faltou e rever o que mais gostei. Foquei no térreo, onde fica a história das civilizações pré-colombianas, e dessa vez cheguei com energia suficiente para a sala dos Maias, que em 2021 tinha sobrado para o final e acabei vendo na pressa.
A CDMX não é só taco e mezcal, embora ambos sejam excelentes. A cidade tem uma das ofertas museológicas mais ricas do continente: sítios arqueológicos, casas de personalidades históricas, museus de arte, palácios. Este artigo fala sobre minhas visitas a oito museus nas duas viagens que fiz à cidade, com a honestidade de quem foi lá e voltou com opiniões formadas.
Museu Nacional de Antropologia: deixei o melhor para o começo
Não adianta tentar cobrir o Museu de Antropologia em meio período. Eu tentei em 2021 e falhei: o encantamento inicial me fez querer olhar cada sala com calma, ler cada painel explicativo e fotografar muitos artefatos. Quatro horas depois eu estava esgotado, com fome, e ainda havia alas inteiras pela frente.
Mas não quero desencorajar a exploração. Muito pelo contrário.
O museu é enorme, mas bem organizado. O térreo é dedicado às civilizações pré-colombianas em ordem cronológica, da pré-história até a chegada dos espanhóis, com as salas finais voltadas a regiões específicas, como os Maias em Yucatán. O segundo andar trata de tradições e cultura das diversas regiões mexicanas contemporâneas, mais voltado à análise antropológica do presente.

Estatua em uma sala sobre povos pré-Colombianos no Museu Nacional de Antropologia
Para aproveitar tudo, o ideal são umas seis horas. Mas não se assuste, dá para curtir com menos tempo. Na segunda visita, fui mais estratégico: pesquisei o acervo antes e fui direto ao que queria ver ou rever. Funcionou. Outra opção é dividir em dois dias — são dois ingressos, mas o museu justifica.
A sala dos Mexicas é a mais impactante. É provavelmente a maior do museu e abriga a Pedra do Sol, um disco enorme trabalhado em relevo com detalhes religiosos e culturais. Mexicas e Astecas são dois nomes para o mesmo povo, e o museu usa os dois, não se assuste. A sala também conta a história de Tenochtitlan, a capital asteca que virou a Cidade do México, e o sistema político e comercial que controlava boa parte do território mexicano antes da chegada dos europeus.
Na sala sobre Teotihuacán, o museu documenta a expansão do comércio de obsidiana por toda a Mesoamérica e os aspectos religiosos dos povos que habitaram o local. Visitar as pirâmides e depois ver essa sala, ou o contrário, é uma combinação que enriquece os dois passeios.

A Pedra do Sol: Peça mais importante do Museu Nacional de Antropologia
A sala dos Maias foi a surpresa positiva da segunda visita. Povos bem diferentes dos vistos antes no museu, que realizaram grandes descobertas astronômicas e matemáticas. Parte do acervo fica numa área externa arborizada que ajuda a dar um respiro e a “ambientar” as peças dentro de um contexto. A sala dos Maias também menciona Chichén Itzá, o sítio arqueológico eleito uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a aproximadamente duas horas e meia de Cancún, que visitei em 2021.
Museu Nacional de Antropologia:
Endereço: Av. P.º de la Reforma s/n, Polanco, Bosque de Chapultepec I Secc, Miguel Hidalgo, 11560 Ciudad de México
Horários e entradas: https://mna.inah.gob.mx/
Viaje Protegido
Viajar para a Cidade do México é uma experiência que dificilmente dá completamente errado, mas quando imprevistos acontecem, pode ser um caos. Um cancelamento de voo de última hora, uma mala que some no aeroporto, uma ida ao pronto-socorro por intoxicação alimentar: são situações raras, mas acontecem, e o custo de resolver sem cobertura pode ir muito além de perder um dia de passeio. Eu mesmo sempre viajo segurado, contando com a cobertura do meu cartão de crédito, mas se você não tiver essa opção, sempre vale cotar e contratar a parte. A Real Seguro Viagem é uma das referências no Brasil para isso, com cotação rápida e comparação de coberturas, para que você escolha a melhor opção para sua viagem.
Museu Nacional de História e Tamayo: mais dois museus sem sair do mesmo parque
O Bosque de Chapultepec é um parque enorme, que abriga o Museu Nacional de Antropologia, e que tem mais dois museus que valem a visita. Dá para combinar duas ou três visitas entre eles, dependendo do quanto você tem de tempo e de pique.
Já o Castelo de Chapultepec fica no alto de um morro dentro do parque e abriga o Museu Nacional de História. Dá para subir de trenzinho, mas fui a pé e recomendo: a caminhada é tranquila e faz parte do passeio.
Se o Museu de Antropologia conta a história do México antes dos espanhóis, o Castelo narra da chegada deles até o século XX: colonização, independência, a fase imperial com Maximiliano I e a Revolução Mexicana. Tem um mural enorme sobre a Revolução, cheio de personagens históricos — Madero, Zapata, Pancho Villa — e de representantes do povo: camponeses, operários, figuras populares. É o tipo de obra que você para na frente e fica mais tempo do que planejou, procurando os detalhes e easter eggs escondidos.
A área externa também vale: por estar no alto de morro e numa zona nobre da cidade, a vista panorâmica é boa o suficiente para algumas fotos. Além disso, é mais fresca, tanto pela altura quanto pelas árvores do parque e serve de bom ponto para uns minutos de descanso.

Paseo de La Reforma e seus prédios vistos desde o Castillo de Chapultepec
Em 2021, fiz o Museu de Antropologia de manhã e o Castelo de tarde. Deu certo, mas foi bastante denso. Cheguei no final do dia satisfeito, com a sensação de dever cumprido. E cansado, muito cansado.
O Museu Tamayo é diferente em tom e proposta. Arte contemporânea, exibições multimídia, o nome do pintor mexicano Rufino Tamayo na fachada. Fui em 2023, depois do Antropologia, e visitei em menos de uma hora, em parte porque uma ala estava em obras.
Sendo honesto: não sou muito de arte contemporânea, então o Tamayo foi mais um complemento de passeio do que destino em si. Para quem gosta do gênero, o nível das exibições é bom. Para quem não é tanto das artes, funciona como parada rápida.
Museu Nacional de História — Castelo de Chapultepec:
Endereço: Av. Heroico Colegio Militar 172, Bosque de Chapultepec I Secc, Miguel Hidalgo, 11580 Ciudad de México
Horários e entradas: https://mnh.inah.gob.mx/
Museu Rufino Tamayo:
Endereço: Av. P.º de la Reforma 51, Polanco, Bosque de Chapultepec I Secc, Miguel Hidalgo, 11580 Ciudad de México
Horários e entradas: https://www.museotamayo.org/
Centro histórico: Bellas Artes e Templo Mayor
O Centro Histórico da Cidade do México tem dois museus a poucos minutos um do outro, que encaixam muito bem num passeio dentro do mesmo dia.
O Palácio de Bellas Artes é um dos edifícios mais bonitos da cidade e só a arquitetura já justificaria a parada para tirar fotos. Por dentro abriga o Museu Nacional de Arquitetura, espaços dedicados a teatro e música, e o Museu do Palácio de Bellas Artes, com arte mexicana e destaque para os muralistas do país, entre eles Diego Rivera. Não é grande e cabe tranquilo em uma hora.

Palácio de Bellas Artes visto de frente: Um dos prédios mais bonitos da capital mexicana.
O Museu del Templo Mayor fica colado no Zócalo, a praça central da Cidade do México. É um passeio mais longo, com um diferencial claro: você conhece as ruínas do templo principal dos Astecas numa visita ao ar livre e depois entra no museu com os artefatos encontrados no local. Tudo no mesmo lugar.
O templo ficou soterrado desde a Conquista espanhola até meados do século XX, quando foi descoberto durante uma obra e virou um sítio arqueológico a céu aberto no meio da cidade. No térreo do museu há uma pedra esculpida enorme que só se vê inteira de cima. Não esqueça de procurar por essa perspectiva quando estiver vendo os artefatos nos andares superiores.
Para quem já passou pelo Museu de Antropologia, o Templo Mayor vai parecer menos grandioso, mas é um complemento específico sobre a história de Tenochtitlan que tem o seu valor. Se precisar escolher entre um ou outro, vá pelo Antropologia. Se puder fazer os dois, faça.

Ruínas do Templo Mayor, com os fundos da Catedral da Cidade do México ao fundo
Palácio de Bellas Artes:
Endereço: Av. Juárez s/n esq, Eje Central Lázaro Cárdenas Col, Centro, Cuauhtémoc, 06050 Ciudad de México
Horários e entradas: https://palacio.inba.gob.mx/
Museu del Templo Mayor:
Endereço: Seminario 8, Centro Histórico de la Cdad. de México, Centro, Cuauhtémoc, 06060 Ciudad de México
Horários e entradas: https://www.inah.gob.mx/zonas/zona-arqueologica-templo-mayor
Soumaya: o museu gratuito de Carlos Slim em Polanco
O Soumaya foi recomendação da Montserrat, uma das amigas mexicanas que já apareceu no artigo sobre tacos. Em 2021, um passeio que eu planejava estava indisponível por conta das restrições da COVID-19, e ela sugeriu o Soumaya. Fui no meio da tarde e tive que acelerar no final para sair antes do fechamento, às 18h30.
A fachada prateada e curva é um ponto clássico de foto em Polanco. Mas o interior foi o que me surpreendeu: o museu é maior do que parece por fora, com vários andares e muito mais obras do que eu esperava. O acervo inclui artistas europeus de fama internacional, como Monet, Cézanne e Rodin, além de muitos artistas mexicanos, com um grande mural de Rivera logo na entrada.
É gratuito. O que fez sobrar mais pesos para os tacos da Montserrat, que comi ali no bairro de Polanco.

O prédio icônico do Museu Soumaya é um lugar conhecido para tirar fotos
Museu Soumaya:
Endereço: Blvd. Miguel de Cervantes Saavedra, Granada, Miguel Hidalgo, 11529 Ciudad de México
Horários e entradas: https://www.museosoumaya.org/inicio/exposiciones/plaza-carso/
Coyoacán: Frida Kahlo, Trotsky e churros numa casa de esquina
Coyoacán é um bairro diferente das regiões mais turísticas da CDMX. Longe do centro histórico e de Polanco, mais arborizado, com casas residenciais e um centrinho que lembra cidade do interior: praça, feirinha, barraquinhas de comida, artesanato e souvenirs.
Em 2021, tentei ir à Casa Azul, antiga casa de Frida Kahlo, hoje um museu em sua homenagem. Tentei comprar ingresso online na manhã da visita: esgotado. Fui assim mesmo até Coyoacán visitar o Museu Trotsky e conhecer o bairro, e passei no guichê da Casa Azul para uma última tentativa. Também esgotado.
Em 2023, comprei o ingresso com duas semanas de antecedência. A lição tinha ficado: a Casa Azul esgota rápido e não dá para depender do guichê, que aliás nem fica no museu, mas num estabelecimento comercial próximo.

Entrada do Museu Frida Kahlo – Casa Azul, em Coyacán
A Casa Azul é mais uma homenagem à vida de Frida Kahlo do que um museu de arte no sentido convencional. Entrei às 14h, horário agendado na compra do ingresso, num dia de sol forte. Lá dentro, o quintal é fresco e arborizado, com bastante sombra e bancos espalhados, aliviando o calor.
Ali você encontra obras da artista, documentos, objetos pessoais e a mobília disposta como quando Frida morava ali. Tem café no local para quem quiser estender a visita, e uma lojinha com lembranças bem bonitas: saí de lá com um chaveiro para dar de presente.
O Museu Leon Trotsky fica a poucos minutos dali e visitar os dois no mesmo dia é o roteiro natural em Coyoacán. O museu é pequeno e estava com poucos visitantes quando fui. O acervo trata da chegada de Trotsky ao México, da amizade com Diego Rivera e Frida Kahlo (que virou romance) e de seu assassinato em 1940. Fotos da época, documentos originais e o conteúdo doméstico do período em que ele viveu ali com a esposa. Também fica numa casa, como a Casa Azul, mas o clima é completamente diferente: intimista, carregado de história política.

Monumento em homenagem a Trotsky no “quintal” do Museu Trotsky
Depois dos museus, em 2021 e em 2023, fui até a praça central de Coyoacán. Tem feirinha, barraquinhas, movimento. Mas o que valeu mesmo foi uma churreria que fica numa casa de esquina, meio colonial, numa das pontas da praça, e não nas barraquinhas. Procure a casa. Tão bom que voltei dois anos depois para comer de novo.
Casa Azul — Museu Frida Kahlo:
Endereço: Londres 247, Del Carmen, Coyoacán, 04100 Ciudad de México
Horários e entradas: https://www.museofridakahlo.org.mx/
Museu Casa de Leon Trotsky:
Endereço: Av. Río Churubusco 410, Del Carmen, Coyoacán, 04100 Ciudad de México
Horários e entradas: http://museotrotsky.org.mx/
Como organizar a visita
Visitei todos os museus com ingressos avulsos e preferi assim para ter liberdade de mudar os planos se o dia não cooperasse. A exceção é a Casa Azul: o ingresso precisa ser comprado online com antecedência e o horário de entrada é fixado na compra.
Todos os museus, menos o Soumaya, ficam próximos de pelo menos um outro da lista e dá para combinar mais de um por dia. Só tome cuidado quando um dos dois exige bastante tempo, como o Antropologia ou o Templo Mayor, para não chegar no segundo sem energia para aproveitar.
Os preços e horários abaixo são de referência e podem mudar. Confirme nos sites de cada museu antes de ir.
| Museu | Bairro | Entrada | Observação |
| Museu Nac. de Antropologia | Chapultepec | MXN 210* | Meia p/ mexicanos e residentes. Reserve o dia inteiro ou foque nas salas de interesse. |
| Museu Nac. de História (Castelo) | Chapultepec | MXN 210* | Meia p/ mexicanos e residentes. Vista panorâmica da cidade. |
| Museu Rufino Tamayo | Chapultepec | MXN 95* | Arte contemporânea. |
| Palácio de Bellas Artes | Centro Hist. | MXN 95* | Destaque para muralistas mexicanos. |
| Museu del Templo Mayor | Centro Hist. | MXN 105* | Zona arqueológica ao ar livre + museu. |
| Museu Soumaya | Polanco | Gratuito* | Artistas mexicanos e internacionais. Fachada famosa. |
| Casa Azul — Frida Kahlo | Coyoacán | MXN 320* | Meia p/ mexicanos e residentes. Comprar com 2 sem. de antecedência. |
| Museu Casa de Leon Trotsky | Coyoacán | MXN 70* | Combine com a Casa Azul. |
* Valores aproximados — confirmar nos sites oficiais antes da visita.
A Cidade do México tem wi-fi em vários pontos públicos, e no papel parece suficiente para se virar com a organização dos passeios. Na prática, a conexão é instável e você vai perceber isso exatamente no momento em que mais precisar: tentando localizar um endereço, quando precisar chamar um Uber ou confirmar o horário de funcionamento de um museu. Passei por isso quando me perdi tentando ir a Coyacán de ônibus e precisei chamar um Uber, e aprendi a lição. Ter um eSIM resolve isso sem complicação: você ativa antes de embarcar, chega com dados funcionando e não depende de wi-fi que pode ou não estar disponível. A Holafly é uma das boas opções usadas por brasileiros para viagens internacionais: a contratação é feita pelo site antes de viajar e a ativação é simples. Além disso, clicando neste link acima, você ganha 5% de desconto na contratação do eSIM.
A Cidade do México pode ser muita coisa ao mesmo tempo. A maioria das pessoas vai pela comida. Faz bem, porque é ótima. Mas tem uma versão da CDMX que fica escondida atrás da gastronomia e dos passeios tradicionais, e que eu levei duas viagens para aproveitar direito. Reserve pelo menos um dia para o Museu de Antropologia e mais algum outro da lista. E deixe uma folga de tempo, porque depois disso você vai acabar querendo mais.
Veja tambem: O que aprendi sobre tacos na Cidade do México