Cheguei em Roterdã depois de mais de três horas de trem e ônibus saindo de Gent, e a primeira coisa que me chamou atenção foi o quanto a cidade parecia diferente do resto da Europa que eu já tinha visto. Nada de casinhas antigas enfileiradas ao longo dos canais. Aqui os prédios são mais retos, meio frios, quase como se a cidade tivesse decidido não ter nostalgia nenhuma do próprio passado. Para completar, alguns prédios, dos quais vamos falar mais adiante, se destacam ainda mais por sua arquitetura quase futurista.
Tem um motivo pra isso: Roterdã foi praticamente destruída durante a Segunda Guerra Mundial, e o centro histórico que existia antes simplesmente não existe mais. Quando a cidade foi reconstruída, optaram por não tentar recriar o que tinha sido perdido. O resultado é essa arquitetura mais moderna espalhada por todo canto, que dá à cidade uma cara contemporânea, bem diferente do roteiro clássico de moinhos e tulipas que a gente imagina quando pensa em Holanda. É essa arquitetura, aliás, que dá o tom de quase tudo o que fazer em Roterdã.

Prédios modernos e ruas largas no centro de Roterdã
Fui numa pequena viagem de dois dias saindo de Gent, com apenas um pernoite, então o roteiro foi enxuto por necessidade. Apesar disso, posso dizer que consegui visitar boa parte dos must see de Roterdã com tranquilidade, embora não tudo.
Euromast
Na manhã do segundo dia, fui do hostel a pé até o Euromast, a torre de observação da cidade. Passei primeiro pelo bairro próximo de Delfshaven, para tomar café da manhã e fotografar suas casinhas e construções em estilo portuário, que logo eu veria de uma outra perspectiva. De lá, já consegui ver ao longe o estilo moderno e imponente de meu destino.
Chegando na torre, o ingresso me custou 12,50 euros. A subida é direta para o topo e lá de cima a vista é boa: dá pra ver boa parte do Parque Het, um amplo espaço verde que fica ao lado, os bairros próximos (como Delfshaven), os canais com os barcos e, do outro lado, a zona de prédios modernos onde ficam sedes de grandes empresas. O porto propriamente dito não dá pra ver de perto, mas dá pra notar os barcos e algumas docas menores com embarcações atracadas.
Infelizmente, nos dias em que estive na cidade, o tempo estava fechado e com chuva, os únicos assim durante toda a viagem para a região. Não atrapalhou a vista propriamente dita, mas com certeza um tempo mais estável teria rendido melhores fotos e momentos mais agradáveis. Existe um café ou restaurante no topo da torre, mas como havia comido antes da visita, acabei não consumindo nada. Pode ser uma boa opção para quem quiser desfrutar mais tempo do local.

Vista do Parque Het (com a Erasmusbrug ao fundo) e do bairro de Delfhaven a partir do topo do Euromast
Euromast:
Parkhaven 20, 3016 GM Rotterdam, Países Baixos
Site: http://www.euromast.nl/
Markthal
O Markthal é o mercado coberto da cidade, e talvez tenha sido o lugar que mais me surpreendeu, tanto pela variedade de estilos de comida quanto, por que não, pela beleza. Esqueça aquela imagem de mercado tradicional, antigo, com espaço diminuto e estreito, pois o Markthal é um prédio moderno de linhas minimalistas e que se destaca pelo tamanho e altura perto dos vizinhos.
Internamente, apesar da grande quantidade de estandes, os corredores e espaços amplos permitem boa circulação de pessoas e não passam sensação claustrofóbica. O teto em si é um show à parte, todo desenhado com motivos culinários em estilo moderno, uma verdadeira obra de arte. Outro lembrete de que em Roterdã, a arquitetura moderna não é só pano de fundo, é atração por si só.
Lá é possível provar comida holandesa tradicional, como panquecas, arenque, batata frita e bitterballen, um tipo de croquete símbolo da gastronomia da Holanda, que foi minha opção. Tem bastantes sabores de bitterballen por lá, como carne, frango, vegetais e o mais tradicional, de peixe. Provei o de carne e gostei bastante. Além disso, tem hambúrguer, pizza, comida japonesa, comida chinesa (que tem forte comunidade na cidade), comida árabe e locais especializados em comida de ex-colônias holandesas, como comida caribenha e indonésia.
O lugar é bem movimentado, com alguns turistas. Mas dava pra notar gente local circulando também, algo que percebi bastante em Roterdã em geral. Um detalhe importante: ele fecha por volta das 20h na maior parte dos dias, o que me levou a uma tentativa frustrada de comer novamente no local na hora do jantar, por ter saído tarde demais do hostel.
Em Roterdã eu não tinha conexão à internet além de wi-fi, e quando cheguei ao Markthal fechado, fiquei sem saber onde ir comer e acabei parando em um fast-food no caminho da volta para o hostel. Um e-sim com internet teria me ajudado a encontrar mais rápido um restaurante menos genérico para aquela refeição, e é por isso que pretendo utilizar um em todas as minhas viagens a partir de agora. A Holafly tem ótimas opções de cobertura e seguindo por este link, você ainda consegue 5% de desconto no valor do seu chip.

Perspectiva externa e interna do Markthal: repare no teto colorido visível inclusive de fora do prédio
Markthal:
Verlengde Nieuwstraat, 3011 GX Rotterdam, Países Baixos
Site: https://markthal.nl/en/
Cube Houses
As Cube Houses (Kubuswoningen) talvez sejam o cartão postal mais conhecido de Roterdã. Ficam bem no meio da cidade e destoam completamente dos prédios ao redor, pelo formato inusitado e pelo design moderno. A primeira reação ao vê-las foi de surpresa mesmo. Elas parecem fora de lugar, meio surreais ali no meio do centro urbano, e a gente chega a se perguntar como elas ficam de pé e como funciona seu interior.
Além da estética disruptiva, elas têm algumas funções, como apartamentos, um hostel (que acabei não escolhendo por conta do preço) e algumas lojinhas. A loja de souvenirs do local, inclusive, tem produtos muito bons, com custo-benefício ótimo, e comprei alguns ímãs e chaveiros pra levar de presente e decorar minha casa. Gastei uns 15 euros no total e levei bastante coisa.

Cube Houses: integradas à cidade, mas chamando atenção pelo design inusitado
Casas Cubo (Kijk-Kubus):
Overblaak 70, 3011 MH Rotterdam, Países Baixos
Site: https://kubuswoning.nl/
Depot Boijmans Van Beuningen
O museu principal de arte da cidade, o Boijmans Van Beuningen, fechou para reforma em 2019 e a previsão é que só reabra por volta de 2029 ou 2030. Enquanto isso, uma parte do acervo ficou disponível num prédio separado, o Depot Boijmans Van Beuningen, inaugurado em 2021.
O prédio por si só é uma atração: é uma estrutura arredondada de quase 40 metros, coberta de placas espelhadas que refletem tudo ao redor, batizada informalmente de “o Pote”. Foi projetado pelo escritório MVRDV (o mesmo que projetou o Markthal) e é o primeiro depósito de arte do mundo aberto ao público.
O interior realmente passa a sensação de um depósito, com decoração no estilo mais cru, de um espaço sem acabamento. Há algumas salas mais simples, e o acesso a um salão onde as peças não ficam sequer expostas, mas armazenadas e catalogadas. Vi obras de nomes conhecidos, incluindo Van Gogh, mas fiquei com a sensação de que o valor do ingresso, 20 euros, não compensava tanto pelo que se vê, já que apenas uma pequena parte do acervo está disponível. Ainda assim, quem gosta de arte e arquitetura vai encontrar uma boa sugestão.

O Pote: arquitetura futurista por fora, aspecto industrial por dentro
Art Depot Museum Boijmans Van Beuningen:
Museumpark 24, 3015 CX Rotterdam, Países Baixos
Site: https://www.boijmans.nl/depot
Barcos e Estaleiros
Não fiz passeio de barco, então tudo que vi do porto e dos canais foi a partir de terra (ou do alto do Euromast), caminhando pela beira do canal até a ponte Erasmusbrug, outro cartão postal de arquitetura bem futurista. Da ponte dá pra ver um pouco mais da zona de estaleiros e alguns barcos, ainda que de longe. Não é a experiência mais completa do porto de Roterdã, um dos maiores da Europa, mas dá pra ter uma ideia do tamanho da coisa.

Erasmusbrug com dois elementos clássicos de Roterdã: um barco em primeiro plano e prédios modernos ao fundo
Como chegar em Roterdã
Fiz o trajeto saindo de Gent, na Bélgica. Peguei o trem até Bruxelas (ida e volta 18,60 euros) e de lá um Flixbus até Roterdã (20 euros na ida, 12 euros na volta). No total, o trajeto levou cerca de 3h30 entre trem e ônibus para ir e a mesma coisa para voltar. Esses valores são de 2022, então vale conferir os preços atuais antes de fechar a viagem.
Partindo de Amsterdã, a viagem é mais barata e mais curta, podendo até ser uma opção de bate-volta. Não foi o que eu fiz, mas na época da viagem encontrei uma amiga, a Deia, que morava em Amsterdã mas ia algumas vezes por semana para Roterdã, onde ficava seu trabalho. Daí deu para ter uma noção da facilidade do trajeto entre as cidades.
Trajetos de ônibus e trens entre diferentes países podem nos colocar em situações de maior vulnerabilidade: acidentes, perda de bagagem ou mesmo ficar esquecido em uma parada no meio do caminho. Eu sempre viajo coberto, com o seguro que tenho como benefício do cartão de crédito. Caso você não tenha esse benefício, não se preocupe, que você pode encontrar as melhores cotações e coberturas na Real Seguros.
Vale a visita?
Minha hospedagem em Roterdã foi um hostel, o King Kong, que reservei pelo Booking, na Witte de Withstraat, uma rua bonita, arborizada, cheia de cafés e restaurantes. De lá eu conseguia chegar a pé em qualquer ponto que visitei, sendo os mais distantes, em direções opostas, o bairro de Delfshaven (25 minutos andando) e a Erasmusbrug (17 minutos). Também era próximo à estação Rotterdam Centraal, ponto de chegada e partida do meu ônibus e dos trens que conectam outras cidades da Holanda.
No fim, Roterdã não é destino pra quem quer parar em pontos turísticos um atrás do outro: em dois dias, ou até um, se chegar cedo, dá pra ver o principal. Ainda assim, tem um charme que vem justamente de ser diferente do que a gente espera da Holanda, menos cartão-postal, mais cidade de verdade, menos prédios históricos, mais prédios futuristas.
Em viagens curtas, a localização da hospedagem é fundamental para economizar tempo e uso desnecessário de metrôs e ônibus. O Booking, além de oferecer muitas opções de hospedagens, tem duas facilidades na busca que me ajudam muito a estar sempre próximo de onde eu quero: busca por mapa e o filtro pelo critério de distância do centro. Foi assim que encontrei o King Kong em Roterdã e encontro sempre boas hospedagens para aproveitar minhas viagens ao máximo.